E agora vamos ao comentário de economia com Vinicius Torres Freire.
Quem acompanha o Jornal da Gazeta já sabia que a situação do mercado de trabalho continua entre ruim e, no máximo, medíocre, como a gente acabou de ouvir outra vez. O problema é que a recuperação da economia não acelera, continua lerda e está abaixo do esperado para este início do ano, até agora.
O desemprego subiu neste início do ano, mas sempre sobe, em anos ruins ou bons. É o desemprego da temporada, das pessoas que foram contratadas apenas temporariamente, para o movimento de final de ano, e são demitidas entre janeiro e março.
O resultado não é negativo também porque o número de pessoas empregadas aumentou e os salários na média tenham crescido em relação a fevereiro do ano passado.
O problema é a lentidão da melhora e a má qualidade dos empregos novos. O número de empregos com carteira assinada, com CLT, não cresce. O brasileiro continua se virando com bico.
No caso dos empréstimos e dos juros, a coisa continua devagar também. O total de empréstimos para as empresas continua caindo. Muitas das taxas de juros para o consumidor pararam de cair desde novembro ou dezembro, algumas até aumentaram. Os bancos estão na retranca e cobrando caro, ainda.
O drama na construção civil diminui um pouco por mês, mas ainda é enorme, o setor ainda está em recessão.
Soubemos nesta semana que a despesa do governo com investimento em obras é a metade do que era em 2014. Parece que o investimento público parou de cair, mas está em níveis horríveis. Sem obras pesadas, a infraestrutura não melhora, como as estradas e obras de esgoto, e a construção civil continua na lama.
A incerteza política, enfim, está deixando muita empresa na retranca. Está difícil de prever quem vai governar este país no ano que vem. O número de candidatos a presidente é cada vez maior e o risco de que malucos disputem o segundo turno não é nada desprezível. Se o empresário tem medo do futuro, ele não investe. Sem isso, a economia não acelera.