Vinicius Torres Freire/Quem fica com o dinheiro do FGTS

Por 14 de abril de 2018Jornal da Gazeta

Talvez daqui a pouco o trabalhador possa sacar do dinheiro do FGTS quando pedir demissão. Hoje em dia, é possível sacar o fundo em alguns casos de demissão ou quando o trabalhador fica três anos sem carteira, além de uma lista de casos especiais, não relacionados à demissão.
O projeto está quase aprovado no Senado. Logo, deve ir para a Câmara. Parece bom. É?
Ficar com o dinheiro parado no FGTS nunca é bom. O rendimento pago é muito pequeno, em geral menor ou igual à inflação. Ou seja, na prática, por muitos anos, o dinheiro parado no FGTS diminui de valor.
Do ponto de vista do trabalhador, ao menos do ponto de vista financeiro, melhor sacar assim que houver oportunidade, como para comprar uma casa, por exemplo.
Agora, o dinheiro guardado no FGTS tem outros usos. Todos os anos, parte desse dinheiro financia obras. Quais?
Casas populares, por exemplo. Nos últimos dez anos, o FGTS financiou metade das obras de casas do país, a juros mais baratos. Foram 4 milhões de habitações. Neste ano, vão ser usados 70 bilhões do FGTS para financiar moradias.
Um dinheiro menor financia obras de saneamento básico, água e esgoto, em cidade pobre. São 8 bilhões de reais em saneamento. Outros 8 bilhões vão para obras de melhorias em cidades.
Quanto mais dinheiro for sacado do FGTS, menos sobrará para financiar essas obras. A indústria da construção reclama, por exemplo.
Há economistas que não gostam do Fundo. Acham que o dinheiro deveria ser depositado em contas da escolha do trabalhador, que ficaria com ganhos maiores e também com o risco da aplicação.
De onde viria o dinheiro para obras de casas populares e saneamento? De algum outro imposto, que seria gasto de acordo com decisões do Congresso, a cada ano.
Logo, do ponto de vista individual pode ser conveniente sacar o FGTS. Mudar o fundo pode ser também uma boa ideia, a ser discutida. Mas é preciso pensar em como financiar obras necessárias, para a gente sem fundo algum.