Vinicius Torres Freire/Está difícil sair do buracão da crise

Por 27 de abril de 2018Jornal da Gazeta

Pode parecer que não, mas comentarista de economia gosta de dar boas notícias. País crescendo, sem crise, mais salário e emprego é bom para todo mundo. Inclusive para o comentarista, que também tem contas para pagar e filhos para criar.
Mas a realidade não está tão animada. Pelo menos neste início de ano, a recuperação da economia ficou ainda mais lenta. Ainda tem recuperação, volta de algum crescimento. Mas a coisa vai devagar. Não dá para dizer quase parando, embora a gente fique com medo disso.
Hoje o IBGE soltou os dados de emprego e salário de março. O salário médio parou de subir. Está igual ao de março de 2017. O desemprego cai, mas muito pouco, em relação ao ano passado.
A maior parte do trabalho que aparece é precário, por conta própria ou sem carteira, que paga menos e é mais inseguro.
Não foi só no emprego que a gente viu dados decepcionantes. Os juros nos bancos pararam de cair, na média, desde o final do ano passado.
O primeiro bimestre foi fraco na indústria e no comércio. Nos serviços, continua no vermelho. Ainda não temos dados de março.
A confiança de consumidores e empresários, que vinha subindo aos poucos, mas vinha, desde o ano passado, deu uma parada em abril.
Está difícil de saber o que houve de novo, ainda, mas está difícil de subir a ladeira, de sair do buracão em que a crise nos jogou. Falta investimento, das empresas, com medo do futuro, e do governo, quebrado.
Pode ser que a mistura de confusão com incerteza política no país derrube os ânimos de quem compra e quem produz. Como não há ideia de quem vai vencer a eleição e muito menos qual será o programa do próximo presidente, as empresas podem estar na retranca, com medo de algum maluco ou incompetente no poder.
As pessoas, vendo tanto desemprego ainda ou com trabalho precário, gastam menos, quando podem gastar.
Ainda não dá para dizer que o crescimento previsto para este ano será frustrado. Mas um gato subiu no telhado.

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