Vinicius Torres Freire/Dólar a R$ 3,50 não é sinal de crise

Por 25 de abril de 2018Jornal da Gazeta

Dólar em alta costuma parecer sinal de crise, para nós brasileiros. Não é o caso agora. Pelo menos, não é o caso de crise nova.
Faz um mês, o dólar andava pela casa de R$ 3,30. Agora, subiu uns andares e está na casa de R$ 3,50.
Por que subiu? Há hipóteses variadas.
A maioria das moedas importantes do mundo têm se desvalorizado em relação ao dólar. Logo, parece haver um fator mundial. O que é?
De novo, os donos do dinheiro acham que os juros vão subir nos Estados Unidos. Já estão subindo. Juros mais altos levam dinheiro para os Estados Unidos. Quando sai dólar daqui, quando se vende real e se compra dólar, o dólar sobe.
O real tem se desvalorizado um pouco mais, é verdade. Pode ser que porque os juros básicos da economia baixaram. Pode ser porque ninguém sabe o que vai se da economia e da política, por causa da eleição indefinida.
Mas o dólar está caro? Em relação ao quê? Para pensar no preço do dólar, é preciso pensar também em inflação. R$ 3,50 hoje não valem o que valiam faz um ano ou dez anos, certo? Então, para pensar no preço do dólar, é preciso de certo modo descontar a inflação. Fazendo essa conta, o dólar está mais ou menos onde estava na metade de 2016.
A alta do dólar vai causar problema? Nesse nível, não. Se for para R$ 4 no mês que vem e ficar por aí, por exemplo, pode dar em um pouco mais de inflação.
Por enquanto, o dólar a R$ 3,48 ajuda as empresas exportadoras, que vendem mais lá fora e ganham mais pelo que vendem. Pode ser uma ajudazinha, para um país na pindaíba.
O dólar vai parar em R$ 3,50? Quem soubesse a resposta, ficaria quieto e ganharia dinheiro com a informação.
Na semana passada, um dos maiores bancos do mundo, o Goldman Sachs, dizia até que o dólar voltaria a R$ 3 no Brasil, em três meses. A maioria dos bancos grandes brasileiros acha que o dólar termina o ano em R$ 3,30, por aí.
Já vimos muitos dessas estimativas darem muito errado. O que dá para dizer agora é que dólar a R$ 3,50 não é sinal de crise nem de problema à vista.
Por ora, não temos um problema novo. Só os velhos.

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