O rendimento médio dos brasileiros que estão no 1% mais rico da população era de 28 mil reais em 2017. Na metade mais pobre, o rendimento era de 754 reais. Rendimento total, não só do trabalho, mas também Previdência ou Bolsa Família.
Como disse hoje o IBGE, a renda média do 1% mais rico equivale a 36 vezes a média dos 50% mais pobres.
A desigualdade piorou nos anos da recessão? Ainda não temos como saber. O IBGE mudou o método de fazer a pesquisa em 2015. Deve refazer as contas ainda neste ano.
Antes de continuar, vamos lembrar que desigualdade é algo bem diferente de nível de renda e pobreza. O nível de renda do país caiu na recessão. Mas, se a renda de todo mundo cai na mesma proporção, a desigualdade fica na mesma.
Entre 2013 e 2015, ainda nos anos do governo do PT, a desigualdade tinha parado de diminuir. Mas a renda média e da larga maioria ainda crescia.
A desigualdade já foi bem pior, isso é claro. No começo do século, a renda média do 1% mais rico era mais de 55 vezes a da metade mais pobre da população. Caiu até 32 vezes, em 2015. Mas não dá para comparar esse número com o da pesquisa atual, vamos repetir. O método mudou.
Esta crise foi horrenda, claro, e mal acabou. Mas é preciso lembrar que, além de o Brasil ser mais desigual nos anos 1990, por exemplo, era muito mais pobre. A renda da metade mais pobre dos brasileiros era um terço da renda de agora.
Isto é passado. Quando vamos melhorar? Mal saímos ainda da recessão que foi braba de 2014 a 2016. Mesmo se voltarmos a crescer de novo, regularmente, a princípio vai ser difícil ver a distância entre ricos e pobres diminuir rapidamente.
O desemprego é grande. Os empregos que aparecem na maioria são bicos, por conta própria, trabalho autônomo. Nos anos Lula, principalmente, a pobreza e a desigualdade diminuíram porque havia mais emprego para pobres, e empregos melhores, com carteira assinada. Isso vai demorar para voltar.