Todo mundo sabe o que é “nome sujo na praça”. Um pessoa deixou de pagar uma dívida e, assim, entrou em um cadastro negativo. Isso praticamente impede alguém de fazer crediário ou pegar empréstimos em geral.
O Congresso está discutindo por estes dias se vota a criação de um sistema de “nome limpo na praça”. É o novo cadastro positivo.
O cadastro positivo existe desde 2011, mas não funciona. Para a gente fazer parte, tem de se inscrever. É uma burocracia. De 100 milhões de clientes do sistema bancário, apenas 5 milhões estão inscritos no cadastro positivo. Pela lei que está no Congresso, todo mundo entraria no cadastro automaticamente. Quem não quiser ter seu nome lá, terá de pedir para sair.
O cadastro positivo é um registro com a nota de crédito de uma pessoa. Essa nota leva em conta o histórico inteiro de pagamentos do cidadão, não apenas um mau momento.
Qual a vantagem? Se a pessoa tem uma boa nota, pode pegar empréstimo a juro mais barato. Se teve um mau momento, deixou de pagar uma dívida, uma vez, não fica com o nome sujo de vez.
Além do mais, todos os bancos, os menores inclusive, teriam acesso a esse cadastro. Logo, poderiam disputar clientes com os bancos menores, oferecendo crédito mais barato.
Pode ser um jeito de fazer com que os juros estratosféricos caiam. Uma causa dos juros altos é a falta de informação sobre bons pagadores. Quando os bancos têm medo de emprestar, por não conhecer o cliente, cobram juros maiores. Claro que há outros problemas. O lucro dos bancos é grande, a concorrência é pequena. Mas falta de informação sobre clientes e inadimplência é um problema grave.
As entidades de defesa do consumidor criticam a lei do novo cadastro. Dizem que as informações dos clientes podem vazar. Quem defende o projeto, diz que o cadastro não terá o histórico do cidadão, mas apenas a nota de crédito baseada nesse histórico.
Em vários países civilizados, existe alguma espécie de cadastro positivo. Ajudou a derrubar juros. Aqui no Brasil, temos apenas o cadastro negativo. O nome sujo na praça. É algo para se pensar, pelo menos.