O encontro de hoje entre Emmanuel Macron, da França, e Donald Trump, dos Estados Unidos, não interessa apenas aos franceses e aos americanos. Interessa a toda a comunidade internacional. Eles falaram sobre o Irã. Antes de se trancarem no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou que o acordo de 2015 com o regime iraniano era “ridículo” e “horrível”. Mas ele não repetiu essas palavras na entrevista coletiva que deu ao lado de Macron, duas horas depois. O acordo proíbe que o Irã fabrique a bomba atômica, e coloca as instalações nucleares do país sob monitoramento da ONU. O compromisso foi alcançado depois de uma década de negociações. Além do Irã, participaram os membros permanentes do Conselho de Segurança – Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia – e mais a Alemanha. Só que na época o presidente americano era Barack Obama. E Trump tem como ponto de honra destruir a herança diplomática de Obama. O atual presidente americano anunciou que agora, em maio, se retiraria do acordo. Macron fez de conta que concordou, e defendeu, na frente de Trump, uma segunda versão desse acordo com os iranianos. A França pedirá novas concessões ao Irã, para evitar um conflito que envolveria americanos e europeus. É provável que Irã vá concordar. Mas a questão é bem mais estratégica. O Irã ajudou a ditadura da Síria a ganhar a guerra civil, que ainda não terminou. Para os Estados Unidos e para Israel, a Síria se transformou numa espécie de protetorado dos iranianos. E, com isso, o Irã deixa de ficar espremido no Golfo e tem acesso às águas do Mediterrâneo. A possível bomba atômica do Irã é só um ingrediente a mais dessa história geopolítica bem maior. É claro que hoje Trump não deu abertamente o braço a torcer. O francês Macron não tem cacife para isso. Mas os Estados Unidos estão aparentemente mais mansos. O interesse da França é desmontar um conflito potencialmente muito ruim para todo o Oriente Médio, para a Europa e também para todos nós. É assim que o mundo gira. Boa noite.