Joao Batista Natali/Marketing diplomático entre as Coreias

Por 27 de abril de 2018Jornal da Gazeta

Existe um pouco de política e muito marketing no encontro entre o ditador da Coreia do Norte e o presidente da Coreia do Sul. Encontros idênticos já tinham acontecido em 2000 e em 2007. Mas foi uma aproximação que não deu certo. E por culpa do então ditador norte-coreano, que vem a ser o pai do ditador atual, Kim Jong-un. Desde que terminou a guerra entre as duas Coreias, há 65 anos, a península foi um dos focos da Guerra Fria, que era um confronto mais amplo e que acabou no começo dos anos 90. Desde então, a tensão entre as duas Coreias virou um fato localizado. A ditadura do norte ficou com medo de ser abandonada pela china, onde o regime comunista havia se jogado no colo do capitalismo. E os norte-coreanos também não queriam uma reunificação em que a Coreia do Sul simplesmente se apoderasse do território vizinho. Foi por isso que em 2013 a ditadura do norte passou a fazer explosões nucleares e a testar mísseis. Eis que Donald Trump é eleito nos Estados Unidos, e a Coreia do Norte vira o bicho-papão da diplomacia de Trump. Os burocratas do pequeno país comunista blefaram, ao dizer que tinham mísseis capazes de atingir o território americano. E em seguida, com a tensão em nível altíssimo, tomaram a iniciativa de esfriar os termômetros. Aceitaram participar, este ano, dos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul. Interromperam os testes nucleares e negociaram a instalação de uma linha telefônica entre as duas capitais, para casos de crise. É aí que entra o marketing diplomático da manhã desta sexta-feira, quando ainda era noite de quinta aqui no Brasil. A China e os Estados Unidos aplaudiram o espetáculo. É bonito ver de mãos dadas o ditador Kim e o presidente Moon. Mas a Coreia do Norte ainda não aceitou destruir o arsenal atômico dela, e não existe ainda um acordo de paz que engavete o simples armistício de 1953, quando o norte comunista e o sul, apoiado pelos americanos, interromperam uma guerra sangrenta de três anos. É assim que o mundo gira. Boa noite.

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