A temperatura subiu rapidamente na Síria. A expectativa é de um bombardeio dos Estados Unidos, de dimensões ainda inéditas, sobre instalações da ditadura de Bashar al Assad. Será uma resposta ao uso de armas químicas, pelos sírios, no sábado à tarde. 55 pessoas foram mortas, segundo uma entidade que monitora o uso desse tipo proibido de armas. As vítimas, todas civis, moravam no bairro de um subúrbio de Damasco ainda controlado por rebeldes. O presidente Donald Trump cancelou uma viagem que faria a Lima, no Peru. Preferiu acompanhar a operação militar, que, segundo disse ontem, seria desencadeada dentro de 24 ou 48 horas. O cancelamento desse primeiro compromisso na América Latina seria um indicador da gravidade do que vem por aí. Mesmo sabendo que Trump não valoriza a Cúpula das Américas, da qual ele iria participar. Mas voltemos à Síria. Há menos de um mês o presidente anunciou que os americanos se retirariam daquele país. Não há soldados americanos combatendo em terra. O que existe são aviões e mísseis a bordo de embarcações da Marinha, estacionadas no Mediterrâneo e no Golfo. Os Estados Unidos queriam derrubar a ditadura de Bashar al-Assad. Tinham o apoio da Turquia. Enfrentaram as tropas regulares de Assad, mas também milícias enviadas pelo Irã e a cobertura aérea da Rússia. Em abril do ano passado, a ditadura havia usado pela última vez armas químicas contra uma região controlada por rebeldes. O ataque matou 80 civis. Em resposta, Trump determinou uma chuva de mísseis contra instalações militares da ditadura. Mas não funcionou, já que a Síria usou armas químicas mais uma vez. É por isso que a expectativa é de que agora a ação militar, coordenada com o Reino Unido e a França, seja ainda bem maior. E com o perigo de sempre. Mirando na Síria, os americanos podem acertar nos russos. Que o Deus dos muçulmanos nos proteja. Há talvez milhares de almas, que dentro de algumas horas poderão estar rumando na direção do paraíso. É assim que o mundo gira. Boa noite.