João Batista Natali/Cúpula das Américas é uma quermesse diplomática

Por 14 de abril de 2018Jornal da Gazeta

Se vocês me perguntarem qual a importância de um encontro de governantes de países que vão do Canadá à Patagônia, eu responderia que… Depende. Mas no caso da 8ª Cúpula das Américas, que começou hoje em lima, no Peru, a importância é bem pequenininha. Todo mundo vai estar lá. Menos a Venezuela, porque o governo peruano a desconvidou por ser uma ditadura. E menos os Estados Unidos, porque Donald Trump se desconvidou a si mesmo. Mandou no lugar dele o vice-presidente, Mike Pence, que não manda grande coisa dentro do governo americano. Sem Trump, a cúpula virou uma espécie de quermesse diplomática, com muito barulho e pouca importância e decisão. Os Estados Unidos têm apenas duas preocupações com seus vizinhos de hemisfério. Em primeiro lugar a imigração pela fronteira com o México. E, em segundo lugar, as importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina, que sofreram uma sobretaxa, por enquanto suspensa para que os interessados limitem outras exportações para o mercado americano. Há também o acordo trans-pacífico, uma espécie de mercado comum idealizado por Barack Obama e que, no ano passado, Trump abandonou. Trump agora diz que poderá voltar atrás. Países como o Chile, o Peru e a Colômbia com certeza vão pedir detalhes ao vice-presidente Mike Pence. Mas com a falta de melhor assunto, a unanimidade consiste em jogar merecidas pedras na Venezuela. Quem está com o bolso mais cheio para jogá-las é Maurício Macri, o presidente da Argentina. Ele foi o mais bem-sucedido no isolamento da ditadura bolivariana. O Panamá e o Brasil, cada um a seu modo, também tomar a mesma direção. Mas o Panamá é muito pequenininho, e o Brasil não tem muito cacife político por causa de Michel Temer. Lima é uma festa, com atos de rua a favor e contra os venezuelanos. O presidente brasileiro deverá se contentar em comprar pipoca e algodão doce nessa movimentada e quase inútil quermesse. É assim que o mundo gira. Boa noite.

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