Denise Campos de Toledo/Projeções de crescimento estão caindo

Por 9 de abril de 2018Jornal da Gazeta

A prisão do ex presidente Lula até trouxe um certo alívio por tirar da disputa eleitoral um candidato forte, que poderia ir contra a atual política econômica, reformista, focada no ajuste fiscal. Agora, numa segunda leitura, o mercado entendeu que a situação não é tão simples. Mesmo preso Lula pode transferir votos e até promover uma coalisão de esquerda. Dada a fragmentação do centro, isso poderia levar a um segundo turno polarizado com a extrema direita, ampliando o risco de desmonte da política econômica. Também pesa a possibilidade de o STF voltar a discutir a prisão em segunda instância. Mesmo que seja improvável, não é impossível. No Brasil tudo parece possível. No caso de entendimento contrário à prisão, Lula sairia da cadeia, assim como vários outros implicados na Lava Jato. O fato é que o quadro eleitoral ainda está muito indefinido, gerando dúvidas quanto às condições de a economia prosseguir no processo de retomada. Embora a preocupação seja mais para 2019, o ritmo atual já tem decepcionado um pouco, o que tem relação não só com dificuldades ainda decorrentes da forte crise que o País enfrentou, como a ociosidade de vários ramos da indústria e o desemprego, mas também com essas incertezas. Sem muita segurança quanto ao que pode vir depois das eleições há uma trava maior nas contratações, nas decisões de investimento das empresas. A economia vai crescer mais que no ano passado, mas as projeções têm caído. Já não se aposta muito em um avanço acima de 3%. A projeção média, segundo o relatório Focus, do Banco Central, está em 2,8%. Sem as incertezas políticas se poderia esperar mais. Bom lembrar, no entanto, que parte dessa pressão do mercado vem do exterior, do risco de uma guerra comercial de maiores proporções entre Estados Unidos e China. O mercado “global” está mais pesado. Boa noite.

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