Denise Campos de Toledo/Fundos de pensão no esquema de corrupção

Por 12 de abril de 2018Jornal da Gazeta

O Postalis é um dos casos mais graves de irregularidades e desvios de recursos entre os fundos de pensão. E, também, um dos que têm dado mais dor de cabeça para os participantes. Sob intervenção e um rombo estimado em 7 bilhões de reais, o Postalis passou a cobrar uma contribuição extra de 3 a 6%, além da regular, de 8%, dos trabalhadores na ativa. Para os aposentados a situação é ainda mais grave. O acréscimo na contribuição foi de quase 18%. Os aposentados têm de devolver para o fundo quase 30% do que recebem. Mas o Postalis não é o único com problemas. A indústria de fundos de pensão tem um déficit de cerca de 42 bilhões de reais. Isso até setembro do ano passado, o dado mais recente. Sendo que dez fundos respondem por 80% do rombo e, destes, nove são de estatais, como o Funcef, da Caixa, e o Petros, da Petrobrás, além do Postalis, claro. Para estancar a sangria, o Conselho Nacional de Previdência Complementar já determinou que os 17 maiores fundos criem comitês de auditoria, para fiscalizar a administração e a contabilidade. Mas há escândalos envolvendo até auditorias, que deram aval para investimentos que também facilitaram o desvio de recursos, o que demonstra bem o grau de irregularidades cometidas pelos gestores dos fundos. Não todos. A crise econômica também pesou. O desemprego, por exemplo, reduz o número de participantes e amplia os gastos com contribuições, além de interferir no retorno das aplicações financeiras. Os fundos também sentem o efeito do aumento da expectativa de vida, assim como a aposentadoria pública. Mas as investigações ainda vão revelar muitas fraudes. Os mais variados tipos de irregularidades foram cometidos pra garantir desvios de recursos que se transformavam em propina. Os fundos foram mais um instrumento no esquema de corrupção que tomou conta do País. Boa noite.

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