Denise Campos de Toledo/Expectativa eleitoral afeta a economia

Por 3 de maio de 2018Jornal da Gazeta

A indústria, assim como a toda a economia, mostrou uma perda do ritmo nos primeiros meses do ano. Ainda há um processo de retomada, só que mais fraco do que se esperava. Havia uma aposta muito grande em uma reação mais firme do mercado de trabalho, que também registrou aumento do desemprego no primeiro trimestre; e em um impacto maior da queda dos juros básicos. Mas o custo do crédito permanece muito alto. Em algum momento essas mudanças devem ficar mais perceptíveis. O emprego deve crescer nos próximos meses e o custo do credito deve cair, não só acompanhando os cortes da taxa básica, mas, também, por uma série de medidas tomadas pelo governo, pra induzir esse movimento. A resistência dos bancos em cortar com mais intensidade as taxas do crédito tem sido alvo de críticas e de análises, pra que se tente detectar os motivos dessa situação…. se é a concentração bancária, a aversão ao risco, custos do próprio sistema ou outros problemas. Mas, enfim, o que temos é a economia crescendo de forma muito gradual e longe de reverter todo o retrocesso que houve durante a fase mais pesada de crise. A indústria, por exemplo, opera hoje num patamar 15,3% abaixo do pico registrado em maio de 2011. É preciso considerar também que estamos em um ano de eleições e eleições das mais incertas e importantes dos últimos tempos. O programa econômico do futuro governo e a capacidade de articulação com o Congresso serão decisivos para os rumos da economia. Essa expectativa, claro, acaba atrapalhando, já que pesa nas decisões de investimento, nas contratações das empresas, no comportamento dos consumidores e até do mercado. O dólar já deu sinais disso. Subiu no exterior, mas ganhou impulso, por aqui, pelas incertezas domésticas. O Banco Central está atuando para conter a alta, mas o fator eleições ainda pode provocar muita volatilidade, assim como as condições externas. O bom disso tudo é que o Brasil, mesmo aos tropeços, vem se recuperando. 2018 não deve ser uma maravilha, mas deve ser bem melhor que os últimos anos. Boa noite.

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