Denise Campos de Toledo/Desemprego segura retomada da economia

Por 16 de abril de 2018Jornal da Gazeta

Talvez, o otimismo tenha sido exagerado, mas o fato é que a economia tem tido desempenho inferior ao previsto e por isso o mercado tem reduzido há várias semanas as projeções para o PIB deste ano. Um crescimento de 2,76%, que é a projeção média atual, não é pouco. A economia vai crescer mais que no ano passado, o problema é o ritmo…. gradual demais, principalmente, se levarmos em conta fatores favoráveis como a inflação e os juros básicos baixos. Se esperava mais. Só que tem outros fatores, no sentido inverso, segurando a retomada. O principal ainda é o mercado de trabalho, o desemprego elevado. Isso reduz muito o potencial de expansão do consumo. Tivemos, por exemplo, o anúncio da redução dos juros, do crédito imobiliário, pela Caixa. Independentemente do fato de estar apenas se adequando às taxas praticadas pelo mercado, já que era o único banco com taxas ainda acima de 10%, é uma medida que tende a estimular os negócios, já que é a instituição com maior participação na área imobiliária. Mas também por aí o impacto será limitado pelo mercado de trabalho. Além disso, tem a questão da confiança. Fora o desemprego elevado, que sempre impõe alguma cautela, as eleições são um fator de muita incerteza. Há uma preocupação geral quanto ao que se pode esperar a partir de 2019. E isso segura não só decisões de consumo, mas também de investimentos das empresas, reduzindo o potencial de contratações, mantendo o desemprego ainda alto, o que faz com que a economia siga em frente, mas de uma forma que traz uma certa frustração. Há toda uma combinação de fatores, que impede a economia de decolar com mais firmeza. Sendo que o desequilíbrio das contas públicas também reforça o quadro de incertezas. Qualquer projeção melhor mesmo fica para o próximo governo, desde que não traga ameaças de um desvio maior da política econômica. Boa noite.

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