Denise Campos de Toledo/Comércio exterior ajuda reação da economia

Por 2 de abril de 2018Jornal da Gazeta

Uma queda do saldo comercial é esperada, neste ano, com a expansão mais forte da economia, que estimula a demanda por importados. Mas as exportações estão avançando bastante, inclusive, na área industrial. O setor tem se esforçado para exportar mais até pra compensar a demora em uma reação mais firme do mercado doméstico. O consumo tem aumentado, mas com limitações impostas por fatores, como o desemprego. As vendas externas também têm empecilhos, especialmente no que se refere ao Custo Brasil, às ineficiências da nossa economia. O que só vai ser resolvido com as reformas estruturais, como a tributária, e aumento pesado dos investimentos em infraestrutura, desde energia até transportes. O Custo Brasil chega a pesar de 25 a 30%, o que afeta a capacidade de expansão das vendas. Fora isso, a indústria reduziu bastante os investimentos, desde a recessão, o que também prejudica a competitividade. Mas as exportações do setor têm crescido em ritmo até superior ao das vendas de produtos básicos. Segmento em que o Brasil é bem competitivo, como na agropecuária. Agora, há uma certa preocupação também por aí, diante da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, especialmente, contra a China. O jogo de forças das duas maiores economias pode levar a restrições maiores do comércio global, afetando demanda por commodities. O Brasil até já foi alvo, no caso do aço. De qualquer modo, o saldo comercial pode passar dos 50 bilhões de dólares este ano, ainda que se confirmem as projeções de expansão das importações superior ao das exportações. O comércio exterior deve ser uma das alavancas do crescimento maior da economia, esperado daqui pra 2019. Boa noite.