
A inflação continua bem comportada. Apesar de alguns reajustes pesados de preços, como de combustíveis e energia, os índices de varejo continuam bem baixos. Isso dá até uma certa tranquilidade em relação ao dólar. Mesmo com a queda de hoje, o dólar subiu alguns degraus. Isso já faz diferença nos preços do atacado. Tanto que o IGPM, o chamado índice do aluguel, subiu 1,12% na primeira prévia deste mês. Nem toda essa pressão vai bater no consumidor e, ainda que haja algum impacto, a variação do IPCA em 12 meses está abaixo do piso da meta, que é 3%. Situação que deve fazer com que o Banco Central reduza mais a taxa básica, para 6,25%, na reunião do Copom, da semana que vem. Além da inflação baixa, é preciso considerar a fraqueza da retomada do crescimento, que até ajuda no controle da inflação. No IPCA de abril, por exemplo, apesar de alimentação já não estar em deflação, como no começo do ano, o custo da chamada alimentação fora do domicílio, em restaurantes, lanchonetes, caiu. Isso tem relação com a demanda. Neste mês, exatamente pela recomposição do custo de alimentação, que vem da própria safra, a inflação deve ficar um pouco maior, mas nada que fuja da trajetória prevista. Só não dá pra comemorar muito porque, apesar dos índices baixos de inflação, estamos tendo aumentos que têm uma repercussão negativa no poder de compra do consumidor. O mesmo acontece com as empresas. Produtos e serviços básicos têm registrado essas variações maiores, como eu citei, o caso dos combustíveis e energia. Do outro lado, a queda dos juros básicos não vem tendo o reflexo esperado no custo do crédito, o que também prejudica o potencial do consumo. Daí todo o esforço do Banco Central e do governo em adotar medidas que mexam com os juros de uma forma mais ampla. Até por isso, há que não veja muita necessidade de mais cortes da selic. Mas é importante aproveitar essa fase pra cortar mais os juros básicos. Afinal, há muitas incertezas pela frente, até e depois das eleições, também no exterior, tem a evolução do dólar… É torcer para que, daqui algum tempo, o Banco Central não tenha é de elevar a taxa básica. Boa noite.