A pesquisa mostra um retrato dos mais negativos do País. No ano em que o desemprego atingiu 14 milhões de trabalhadores e os 10% mais ricos detinham 43,3% da massa de rendimento do País; e os 10% mais pobres apenas 0,7%; cresceu 7% o número de pessoas vivendo em imóveis cedidos, atingindo um total de 6 milhões. Nesse contexto de desemprego em alta e renda em baixa, a condição de vida piorou muito. Com o aumento do preço do gás, que passou de 16%, um milhão e 200 mil domicílios passaram a usar lenha ou carvão pra cozinhar, totalizando 12,3 milhões. Agora, a precariedade não vem só da crise.Há uma carência enorme de investimentos na infraestrutura. Não estou falando de rodoviais, portos, aeroportos e energia, que atrapalham toda a economia. Falo do saneamento, por exemplo. Um terço das casas não tem acesso direto à rede de esgoto. Saneamento não é só conforto, é saúde também. Não é à toa que estamos vendo o avanço de tantas doenças. Note que a pesquisa é recente, de 2017. Neste ano, 2018, vamos ter eleições. Focamos muito no combate à corrupção. Queremos candidatos honestos, compromissados com a reestruturação da economia, o ajuste das contas públicas, que é fundamental mesmo. Só que os candidatos também têm de ter compromisso com o social, com o que podem oferecer para a população. Vai ser uma equação difícil, entre a necessidade de reduzir despesas e, ao mesmo tempo, garantir investimentos que assegurem serviços de melhor qualidade. Ser liberal parece a palavra da moda na política brasileira. Mas o que isso vai significar na prática? Que tipo de expansão pode garantir? Reduzir o tamanho do Estado é um caminho, transferindo para a iniciativa privada muita coisa que hoje é responsabilidade do governo. Um Estado menor e mais eficiente em áreas prioritárias, ampliando os investimentos de uma forma mais ampla. Até do ponto de vista político não se pode pensar apenas na melhoria dos indicadores econômicos. A baixa popularidade do presidente Temer tem muita relação com esse quadro retratado na pesquisa. Boa noite.