
Jerusalém não é uma cidade judaica e nem muçulmana. Ela é as duas coisas ao mesmo tempo, e também uma cidade cristã. Os Estados Unidos, ao transferirem a embaixada de Telavive para Jerusalém, passaram a ver a cidade como apenas a capital dos judeus. Historicamente, isso é uma aberração. Os muçulmanos também têm por lá seus lugares sagrados, uma parte preciosa da história deles. E os palestinos pretendem fazer do setor leste de Jerusalém a capital de um estado, que não se tem ideia se um dia será criado. Mas existe também uma outra aberração nos conflitos que hoje fizeram 55 mortos. O atual governo de Israel é composto por religiosos radicais, que não aceitam a existência e a reivindicação histórica dos palestinos. Os dois lados erraram, e erraram feio. Os palestinos, porque não reconheciam os direitos históricos de seus vizinhos judeus. Por isso partiram para o terrorismo e mataram centenas de inocentes. O estado de Israel também errou e ainda está errando. É desproporcional o poderio bélico que foi usado hoje contra civis desarmados. Entre as muitas reações internacionais, a Alemanha foi o país que mencionou com maior ênfase essa desproporcionalidade. E amanhã pode ser pior. Os palestinos se preparam para esta terça-feira. É o dia em que eles reivindicam a volta para as terras que foram há 70 anos tomadas pelos judeus para a criação do Estado de Israel. Dois povos não cabem no mesmo território, a não ser que negociem, a não ser que dividam, a não ser que coloquem um pouco de fraternidade no atual clima, envenenado pelo ódio e pelo confronto. Estamos diante de um duplo protesto. O primeiro é pela devolução das terras palestinas, o que nunca acontecerá. O segundo é pelo estatuto de Jerusalém como capital dos dois povos. O que não está acontecendo, porque a direita israelense e o presidente Donald Trump acreditam que Jerusalém é uma cidade exclusivamente judaica. Isso gera violência, isso gera mortes. Estamos diante de uma imensa tragédia. É assim que o mundo gira. Boa noite.