A notícia é muito, mas muito grave. Donald Trump, no momento em que trabalha com uma das mãos para tirar a bomba atômica da Coreia do Norte, com a outra mão empurra o Irã na direção da fabricação dessa mesma bomba. O presidente anunciou que o país dele está se retirando do acordo de 2015, que limitava o programa nuclear do Irã à inocente produção de eletricidade. Isso não significa que a bomba atômica iraniana voltará a ser imediatamente fabricada. O Irã terá ainda o apoio da Rússia e da China, dos alemães, franceses e britânicos, que também assinaram o acordo de 2015. Mas as sanções econômicas dos americanos devem voltar como uma enorme mão de ferro para esmagar aquele país. A economia do Irã vai mal das pernas. Uma seca de seis anos arruinou a agricultura. Depois que Trump chegou à Casa Branca, bancos americanos não fecham mais negócios com empresas iranianas. As fábricas têm dificuldades para comprar peças para suas máquinas. O cenário é de mais desemprego e mais inflação. Em termos políticos, quem se enfraquece é o presidente Hassan Rouhani, um moderado que agora perde espaço para os religiosos mais ortodoxos e radicais do islamismo xiita. A questão é saber até onde Donald Trump quer chegar. O jornal Washington Post diz que ele está rodeado de pessoas que apostam na queda do regime teocrático, imposto pelos aiatolás ao Irã em 1979. Mas não é fácil derrubar essa gente. A história nos diz que, em caso de ameaça externa, os iranianos se juntam e fortalecem o governo. Aconteceu em 1953, quando americanos e ingleses tentaram depor o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh. Sobra agora uma pergunta. Será que o Irã vai continuar a permitir que suas instalações nucleares sejam monitoradas, pela Agência Internacional de Energia Atômica? É uma inspeção feita dentro do próprio país e por câmeras de televisão, ligadas à sede da agência, em Viena, na Áustria. Em resumo, com Donald Trump estamos dando um salto no escuro. É assim que o mundo gira. Boa noite.