Denise Campos de Toledo/O que empurra o dólar para o alto

Por 7 de maio de 2018Jornal da Gazeta

O mercado no Brasil continua sendo muito influenciado pelo movimento internacional. Os Estados Unidos estão no foco dessa pressão, pelo risco de altas maiores dos juros dos títulos americanos, que provoca um avanço global do dólar, pelo desvio de investimentos de outros mercados. Essa expectativa quanto aos juros vem do crescimento da economia dos Estados Unidos, com recuperação do mercado de trabalho, que podem pressionar a inflação. Também está relacionada ao risco de guerra comercial com a China, diante da postura protecionista de Trump, além da possível revisão do acordo nuclear com o Irã, que ocasionou o avanço mais forte do petróleo, já que o país ameaça com retaliações. Petróleo também pesa na inflação. Para o Brasil a disparada do dólar, em princípio, não deve ter maiores consequências. O País está com as contas externas ajustadas, reservas cambiais elevadas, juros básicos e inflação num patamar baixo, além de uma retomada do crescimento meio vacilante que reduz a margem para que empresas, tanto da indústria como do comércio, repassem os aumentos de custos provocados pela alta do dólar. Mas o Banco Central voltou a atuar, com a colocação de swaps cambiais, uma espécie de venda futura da moeda, para conter oscilações mais bruscas que trazem instabilidade. Quem opera no comércio internacional, fica sem uma referência para o fechamento de exportações ou importações, embora a alta favoreça a competitividade da produção nacional, ao deixar os produtos estrangeiros mais caros. Ainda tem a situação complicada de quem vai viajar para o exterior. Algum reflexo é quase inevitável. Até porque essa situação bateu pesado na Argentina, grande compradora de produtos brasileiros, especialmente veículos. Com inflação já muito alta, o país vizinho teve de promover um forte ajuste dos juros básicos, para 40% ao ano, na tentativa de segurar o impacto sobre os preços. Se a situação lá ficar mais complicada, pode afetar as exportações do Brasil. E o dólar pode subir mais, até pelas incertezas em relação ao quadro eleitoral, a evolução das contas públicas e trava na agenda econômica. São fatores que ajudam a sustentar o dólar em patamar mais alto. Boa noite.