Na quinta-feira, umas dúzias de doleiros foram presos. Não se trata de gente que vende dólares para uma viagem a Miami, mas de negociantes de centenas de milhões.
Alguns deles já estiveram enrolados, presos ou procurados em operações da Polícia Federal desde o final dos anos 1990. Outros são de famílias doleiras faz 50 anos.
Doleiros foram responsáveis por facilitar um dos maiores crimes financeiros do Brasil, a remessa de dinheiro ilegal por meio do Banestado, caso que ficou público faz mais de 20 anos. Cerca de 30 bilhões de dólares foram remetidos ilegalmente para o exterior, cerca 100 bilhões de reais.
Pelo menos um dos doleiros presos na quinta-feira estava nesse esquema. Outro grande operador dessa bandalheira era Alberto Yousseff, que confessou em 2003 que ajudava a mandar dinheiro para fora. Confessou e delatou comparsas para o juiz Sérgio Moro, agora na Lava Jato.
Yousseff voltou ao crime, foi preso de novo. Sua delação permitiu que a Lava Jato avançasse.
Outros de seus colegas dos anos 1990 e 2000 nem foram condenados. O crime deles prescreveu.
A Justiça era lenta e as autoridades do governo de Fernando Henrique Cardoso eram lerdas ou negligentes na apuração dos rolos.
Alguns doleiros condenados também delataram e pegaram penas pequenas, que foram convertidas em prestação de serviços comunitários e doações de cestas básicas.
Essa turma toda mandava para fora dinheiro de empresas, empreiteiras, ricos e famosos, igrejas, políticos, traficantes de armas e drogas.
Muitos deles faziam a operação dos milhares de crimes descobertos na Lava Jato.
Se tivessem sido presos faz 15 anos, a gente teria descoberto parte do esquemão brasileiro antes. Se delatarem o que sabe, pode começar uma nova e grande rodada de descoberta de bandalheiras da elite corrupta nacional.
Para começar, podem ajudar a explicar como o dinheiro da corrupção saía do Brasil, para bancos lá fora, no exterior. Andando é que não era. Até agora, a gente não sabe quase nada dessa mágica da corrupção nacional.