João Batista Natali / O Irã, na Síria, vira uma ameaça a Israel

Por 1 de maio de 2018Jornal da Gazeta

Foi ontem que Benyamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, mostrou o que ele afirmou serem provas irrefutáveis, de que o Irã prosseguia com o plano para produzir a bomba atômica. Acontece que, até agora, só Donald Trump e o próprio Netanyahu levaram a acusação a sério. Não foi o caso da França, Reino Unido e Alemanha, que em 2015 participaram da negociação de acordo que punha fim ao sonho do Irã de fabricar a bomba. Existe um órgão internacional que fiscaliza o acordo. É a Agência Internacional de Energia Atômica. Pois a última missão de fiscalização dela aconteceu agora em fevereiro. E ela disse em relatório que o Irã havia destruído 95% dos gatilhos para queimar plutônio. Por que é, então, que Israel e os Es tados Unidos estão mentindo? Donald Trump fixou para o dia 12 deste mês o prazo para denunciar o acordo com o Irã, que foi uma das heranças que ele recebeu de Barack Obama. A ideia é afirmar que o Irã continua a ser um país perigoso, e que só a ingenuidade de Obama impediu que os americanos percebessem isso. No caso de Israel, há uma disputa militar com o Irã. O regime iraniano está com os dois pés dentro da Síria, tendo ajudado a ditadura de Bashar Al Assad a vencer a guerra civil. Mas ao se instalar na Síria, o Irã também se transforma numa ameaça a Israel, que é um território vizinho. E vejam que curioso. No domingo passado, uma base síria controlada pelos iranianos foi atingida por mísseis lançados por Israel, por mais que o governo israelense não tenha assumido a autoria dessa ação. Foi na localidade de Hama, e morreram de 18 a 38 militares iranianos. O Irã silenciou sobre essas mortes. Se fizesse barulho, precisaria declarar guerra a Israel. Mas nenhum país do Oriente Médio ou do Golfo seria maluco de entrar em conflito aberto com a potência militar israelense. Ou seja, a situação está quente. E a acusação de que o Irã continua a fazer a bomba atômica é apenas uma mentirinha na guerra de informações. É assim que o mundo gira.

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